22.10.26

Gestalt como Técnica de Manipulação


Traduzido na maioria das vezes para o português como “forma”, Gestalt é uma teoria descritiva simples, fácil de entender, consistindo basicamente na premissa de que o todo é sempre diferente da soma de suas partes [o que não quer dizer absolutamente nada], que é uma maneira simplista de tentar resumi-la. Dentre seus fundamentos, interessa, por ora, entender o fechamento, que não acontece apenas visualmente, mas mentalmente, independentemente das expressões realizadas, observadas desde pensamentos verbalizados até composições musicais.

Imagine que alguém esteja contando (1, 2, 3, 4, 5, 6...) em um determinado ritmo, e, ao mesmo tempo, batendo palmas para cada contagem. Curiosamente, se esta pessoa para de falar os números, porém, mantendo as batidas, aquela que escuta tende a continuar a contagem mentalmente, mesmo que por um curto espaço de tempo. Não raramente é possível ouvir ao menos o início de uma determinada música conhecida só de assistir os primeiros dois ou três segundos de um clip, ainda que o aparelho de televisão esteja no mudo. Contudo, isto não ocorre em um estado de alerta, de vigilância constante, sobre quando efeitos como estes podem acontecer. Ao contrário, sempre podem acontecer para quem se encontra passível à sugestionamentos.

A indução por fechamento

Aqueles que são sugestionáveis, primordialmente, dependendo de como as técnicas de manipulação vão ser utilizadas, conforme apresentadas brevemente no texto Manipular Pessoas e Grupos, sofrem com mais facilidade por ações que se baseiam no fechamento, que é um dos fundamentos da Gestalt [utilizado por manipuladores, ainda não entendam a técnica por trás — algo instintivo, de mentes egoicas que observam o outro como uma oportunidade ao invés de seu semelhante]. Observe as três composições posicionadas abaixo antes de prosseguir a leitura, pois o que acontece através de aspectos visuais, também existe no campo verbal.



O mais importante é perceber que, excluindo-se a primeira composição, as outras duas se baseiam em omissões geometricamente produzidas nos círculos. Enquanto na imagem mais à esquerda é possível notar círculos completos, conectados por linhas espessas, mas não um triângulo ali no centro, nas outras duas esse triângulo passa a existir, tanto como plano, quanto por linha, embora tecnicamente, como unidades vetoriais, não tenha sido jamais feitas. Significa que seu cérebro fez esse fechamento, completando na sua mente algo que fica até difícil de não ver. Concentrando-se apenas na composição do centro e olhando apenas para um dos círculos (use a mão para cobrir os demais), certamente um gráfico em formato de pizza termina sendo a imagem mais próxima à percepção [ou o Pac-Man de boca aberta]. Contudo, para evitar esse fenômeno mental automático, foi preciso realizar esse isolamento, afastando sua parte para que o todo não pudesse mais fechar uma outra figura que simplesmente só existe quando associada aos outros elementos, naquelas disposições.

Sobre a primeira composição, há quem consiga enxergar algo mais tridimensional, embora tecnicamente seja apenas uma imagem formada por três círculos e linhas diagonais e horizontal [na verdade, é o mesmo triângulo das outras composições, mas sobreposto em forma de linha espessa, com a mesma cor dos outros elementos — já está manipulando as pessoas com descrições rebuscadas, cara?], sendo considerado algo meramente bidimensional. Entretanto, alterando mais uma vez estes círculos, tanto é possível facilitar a percepção tridimensional em algo bidimensional, como criar outras maneiras de fazer um triângulo inexistente aparecer à vista do observador através do fundamento do fechamento, conforme a teoria da Gestalt.


A primeira composição deixa de ser bidimensional para algo tridimensional apenas pela inclusão de sombras nos círculos e a interrupção do fluxo nas linhas, causando a impressão de que estão parte por trás, parte encaixadas naqueles. Veja que as sombras de fato existem e que o cérebro não capta algo por fechamento. A segunda imagem, apesar da menor pregnância, que é outro fundamento da Gestalt, aqui simplificada para capacidade de percepção da forma, ainda revela um triângulo pela mesma interrupção de fluxo nas linhas dos círculos, incluindo-se, porém, no centro de cada um, um ponto de mesma cor para forçar o cérebro à percepção das pontas do triângulo — por causa do fechamento. A terceira imagem, cujas linhas tracejadas foram colocadas apenas para referenciar a origem das formas em vermelho, também revela um triangulo, sendo o resultado de um fechamento dado por “fatias de pizza” com bordas em oposição ao centro. Neste caso, quanto mais juntas estiverem essas três formas, mais um triângulo poderá ser mais facilmente formado na mente pelo cérebro estar captando, por fechamento, esta forma geral, motivo pelo qual se diz que o todo não é necessariamente a junção de suas partes.

Fechamento dado por falsa informação

Considere a partir daqui que somente a imagem central, daquelas primeiras composições, onde o triangulo surge a partir do fechamento dado por três círculos iguais em circunferência. Admita que cada um desses círculos idênticos seja uma informação válida à realidade de algo que é revelado por fechamento. Diante dos exemplos abaixo, o triângulo ocasionado por fechamento continua existindo, mas as formas que geram este fenômenos não são as mesmas [o princípio por trás de toda indução, para sem mais exato, o que os manipuladores, consciente ou inconscientemente sempre buscam fazer contra seus alvos], e devem ser consideradas como informação verossimilhante, pois, apesar de contribuir ao fechamento da forma do triângulo, fazendo com que pareça legítimo àquela composição, trata-se de algo anômalo, não condizente com a verdade em um universo formado por círculos iguais.


Embora cada composição continue revelando triângulos de idênticas medidas, nenhuma pode ser considerada legítima, verdadeira ou mesmo real, dado que ao menos uma forma não corresponde à realidade daquilo que foi determinado como sendo próprio somente na presença de três círculos idênticos. Apesar do primeiro conjunto haver um círculo menor, de no segundo conjunto o círculo ser substituído por um quadrado, e, de no terceiro conjunto haver um círculo formado por linhas, o triângulo revelado ao centro continua persistindo.

Tome o triângulo, originado no fechamento da composição central da imagem acima, como expressão da realidade sobre algo, que pode ser informacional, como um conceito. Para aqueles que conhecem sua estrutura conceitual, eles entendem que ela é dada pelo conjunto de três círculos idênticos, porém, ajustados de tal forma que consiga revelar o triângulo, como é uma tríade, cuja definição é relativa a algo originado a partir de três coisas ao invés de duas ou quatro, mas que sua qualidade pode ser determinada mais especificamente, como é o caso da designação dos três círculos idênticos. Quem não conhece o conceito, mas vendo que a imagem gerada é o mesmo triângulo, irá supor estar diante de uma verdade conceitual, incluindo suas definições (que deveriam ser dadas apenas pelos círculos idênticos, exclusivamente), admitindo a forma anômala, o quadrado, como parte de um todo legítimo, autêntico, embora não seja.

Significa dizer que se uma pessoa só possui duas partes de três para formar um todo, precisaria encontrar essa outra parte para que esse todo finalmente fosse concluído de maneira autêntica. Os manipuladores se aproveitam justamente desse processo para incutir na percepção de um alvo algo que não participa da verdade, mas que, por verossimilhança, termina sendo aceito — e o triângulo gerado graficamente por fechamento naquela composição serve para representar essa capacidade latente de a mente perceber como certo um dado cerebral equívoco.

Se um círculo significa que somente os seres humanos são dotados de racionalidade, e o outro círculo quer dizer que entre seres humanos só existem homens e mulheres, um quadrado, na condição de dado anômalo, que propõe que ambos, homens e mulheres, por terem basicamente a mesma composição corporal, podem optar por serem do sexo oposto, termina contribuindo para a percepção equivocada de um conceito, dado pelo fechamento do triângulo. Forma que se revela incoerente, pois se os seres humanos são dotados de racionalidade, e a alternância de sexo se daria de modo apenas estético, uma vez que as bases cromossomiais continuariam as mesmas (XY para homens e XX para mulheres), entre outros fatores, somente duas hipóteses prevalecem nessa questão: ou a verdade prevalece, de que só existem homens e mulheres entre seres humanos, ou a manipulação do conceito, dado pela subversão de um dado, acaba se tornando narrativa de interesse do manipulador [e o espertalhão, o manipulador, acha que isso não pode ser matematizado e provado, como de fato é através da semiótica e o domínio da Gestalt], fazendo com que homens e mulheres sejam elementos sem propriedade e a humanidade um conceito relativista [o que é necessário para os intentos eugenistas e sanitaristas de controle populacional].

A manipulação não é imbatível

Manipular é mentir [isto deveria ser óbvio, mas não é]. Porém, como a mentira se tornou um modelo de negócio, o controle de narrativa virou seu principal produto, o ativo principal de um empreendimento manipulador, que se vale da subversão para adulterar as estruturas da própria realidade através de conceitos forjados, como ferramentas, para que sejam empregadas nas manipulações. Somente o conhecimento integral a respeito de um assunto pode impedir atos manipulativos de serem empregados contra si ou demais pessoas. Além disso, á maioria dos manipuladores [que não são inteligentes, diga-se de passagem] desconhecem os mecanismos por trás desses processamentos gestaltificantes. Quando se veem necessitados de impor suas vontades, simplesmente inventam, vão testando narrativas, até que algum alvo seja atingido (sugestionado, na verdade). Os mais vulneráveis são sempre aqueles com menor poder informacional, variando em termos de menor condição social, mas, sobretudo, de acordo com a faixa-etária: quanto mais novos e inexperientes, mais suscetíveis às manipulações de um modo geral [lembrando que doutrinações são cada vez mais frequentes em escolas do que nunca, especialmente à propagação de subversões, travestidas de pensamentos revolucionários, para condicionar crianças e jovens as narrativas que mais favoreçam aos manipuladores e suas ideologias]. A manipulação não é imbatível, mas, diferentemente das soluções criticadas no texto Subjetivar é Manipular, é preciso conhecer como de fato ela acontece de um modo geral. Aquilo que acontece com um, sendo alvo de um manipulador ou de uma manipulação (ideológica, seitista, religiosa etc.), não necessariamente acontece com outro, mesmo que ambos estejam um grupo propício à isso, nuances podem acontecer a depender do grau de sugestionamento de um e de outro. Entender as estruturas bases da manipulação é a única maneira de evitar as implantações emocionais, isolamentos provocados e controles de narrativas.

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Subjetivar é Manipular


Em uma sociedade moldada por mentiras, manipulação acaba sendo mais uma imputação contra um desafeto do que realmente a descrição de algo que acontece no mundo real. No texto Manipular Pessoas e Grupos, as técnicas que envolvem implantar emoções, provocar o isolamento e controlar a narrativa, não trazem exemplos concretos justamente para que estereótipos não limitem a percepção dessas aplicações [como fazem os “psicólegues” para modelar um conjunto de linguagem contra seus desafetos, especialmente os conservadores com religião declarada e contrários às revoluções culturais]. Porém, na internet, os resultados para pesquisas relacionadas ao assunto em mecanismos de busca tendem a apontar para sites de instituições de saúde mental que são abrangentes a respeito das características de como acontecem as manipulações, tornando as coisas mais vagas e passíveis de sugestionamentos, ao invés de delimitar mecanismos de operação ou coisas que realmente possam identificá-las.

Características imprecisas

Manipulares são colocados como inocentes, inconsistentes no diálogo (mudar de assunto repentinamente), enganadores (que falam através de meias verdades) e que geralmente induzem culpa em outras pessoas, onde a solução para isto se resumiria em afastar-se de pessoas assim, pensar mais antes de responder a um manipulador, procurando dizer “não” com autoridade, elencando consequências para ela enquanto respeita seus próprios limites [o que é uma completa bobagem para quem realmente sabe manipular]. Aqueles que se valem de técnicas de manipulação de maneira intencionada não necessariamente são reconhecidos por tais descrições. Há quem manipule com agressões psicológicas, ao invés de físicas, ou utilizem pensamentos de calda longa, que não são infundados, para subverter (dizer que algo ruim é bom ou erodir valores morais). Projetar culpabilidade é o aspecto mais comum, embora não signifique culpar alguém, pois, sempre podem dizer que o outro é o que não é para, assim, dizer que são. Em outros termos, chamam alguém disso ou daquilo para que seus atos contra ele possam ser legitimados [como quem chama outra pessoas de “fascista”, sem saber o que é, apenas para agredi-la com o restante dos imbecis que a legitima, revelando um comportamento de matilha, como caninos, animais que são].

Esses sites, que deveriam ser mais cautelosos, tendem a transmitir informações resumidas, que podem ser facilmente alvo de projeções inconscientes, ou seja, quando a pessoa tende a completar lacunas informacionais através de processos mentais involuntários (dados por Gestalt), aproximando as poucas descrições dispostas em acontecimentos dados ao longo de muito tempo — o que é próprio do sugestionamento.

Efeito prático do sugestionamento

Quando uma pessoa é sugestionada, ela adere, muitas vezes cegamente, à sugestão, passando a se sentir compreendida, apropriando-se da informação como reflexo daquilo que acredita ser verdade. Se este fenômeno acontecer com mais pessoas, além desses efeitos, ela também sentirá pertencente à um grupo [e a solução contra a manipulação se torna a própria manipulação — que irônico], podendo adotar uma mentalidade restrita àquela coletividade, mais apta às influencias naqueles limites, do que qualquer outra informação que lhe seja transmitida de um meio, agora, considerado externo.

Não é incomum observar comentários de pessoas que dizem ter tido pais narcisistas, que são manipuladores, mas tão somente por eles não aceitarem seus comportamentos, especialmente as rebeldias [como esse bando de radicais, que acham que são donos da verdade, mas que não passam de idiotas úteis, servindo ao sistema que lhes deu causa, como os comunistas e os nazistas], onde a intenção não era manipular, mas educar, buscando oferecer um bem incompreendido, como uma lição ética [que é boa desde Platão até agora, mas que os imbecis rejeitam, como pérolas atiradas aos porcos]. Ao contrário, podem existir genitores, que são “pais” por força da palavra, mas não pelas ações concretas, que ao invés de observarem seus filhos como indivíduos, apenas os admitem como extensões de si mesmos — sendo uma das características básicas do narcisismo.

Para entender um assunto, é preciso sempre observá-lo com profundidade, ainda que em nível de curiosidade, motivo pelo qual nem isto aqui, nem aquilo que há em outros sites resumidos, poderiam ser verdades por si só sem que tenham recebido o devido tratamento e sendo apresentadas mais informações que possam demonstrar os porquês de modo a causar, daí, uma liberdade à compreensão ao invés de um aprisionamento, uma vez que tal pode ser tão somente abstrato, funcionando mais como um suporte de projeções ao invés de formação de consciência.

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17.10.26

Manipular Pessoas e Grupos


Existem apenas três técnicas para que isto seja feito e todas elas são intercambiáveis, significando que podem ser usadas, juntas ou separadas, no começo, no meio ou no final de uma operação de manipulação, conforme a necessidade ou circunstância. Todavia, o sucesso depende da objetividade e capacidade de manter o alvo sempre sob influência. Técnicas que se resumem em implantar emoções, provocar o isolamento e controlar a narrativa, conforme serão apresentadas resumidamente [para não dar ideia aos psicopatas] ao longo dessa curta exposição.

Necessidade ou circunstância são pretextos, evidentemente, para alienar pessoas ou mesmo grupos, como acontece em determinados partidos políticos ou seitas [sendo tolice não perceber que são iguais], para que seus líderes possam continuar sempre obtendo os privilégios decorrentes da manipulação que realizam. Portanto, se um manipulador diz ser necessário, ou que em determinado momento é preciso, não faz senão tento em vista cumprir seu objetivo.

Sobre a objetividade, mesmo que sejam vários os objetivos ou apenas um, as manipulações acontecem de diversas formas, que se fossem descritas por linhas simples, ora seriam como retas, ora como curvas, às vezes pontilhadas, mas nunca sem um destino concreto. Essas formas, geralmente dinâmicas, acontecem em decorrência da capacidade de manter o alvo, a pessoa ou grupo, sempre sob influência [como as promessas políticas que nunca se cumprem — e o manipulado sempre acredita que serão cumpridas depois de mais um voto de confiança, mesmo que tenha sido 10º já concedido], quando é possível entender que fazem isso através do implante emocional, isolamento provocado e controle de narrativa.

Implantando emoções

Imagine alguém, que não estava triste, porém, depois de assistir a um filme no cinema, sai da sessão chorando, emocionado ou reflexivo. Igualmente, aqueles que forem suscetíveis, poderão ser manipulados através de uma implantação emocional. Existem critérios a respeito da suscetibilidade, mas que não vem ao caso, pois os efeitos causados por um filme não diferem daqueles que qualquer manipulador possa desempenhar [como um político corrupto, que fala que os outros são exatamente o que ele é, ou como um padre, que privando os fieis da real doutrina religiosa, cometer e induz os piores práticas — muitas vezes para apoiar aquele político corrupto]. Entre as emoções, destacam-se o medo, o ódio e a ganância, que são exploradas a depender do alvo, também levando em conta a necessidade ou circunstância, que são pretextos, tão somente.

Tecnicamente, para implantar uma emoção, excluindo-se os critérios de suscetibilidade, que podem ser também incutidos em nível de isolamento ou narrativa, o alvo precisa ser provocado, seja de maneira racional ou instintivamente. Mesmo as pessoas mais inteligentes e cultas, se fisgadas pelas emoções, podem ser manipuladas [como acontece no academicismo, onde um bando de ignorantes, com complexo de inferioridade, subverte a ciência para afirmarem suas crendices mais idiotas], bastando ao manipulador conduzi-las de acordo com aquilo que são mais propensas. Por exemplo, tendo medo de serem rejeitadas por uma determinada comunidade, o manipulador consegue subvertê-las através de um grupo já isolado, que tem valores que aquelas pessoas não concordam, mas que vão admitindo por precisarem do apoio que somente os membros daquela organização poderiam conceder. Um valor pode ser também outra implantação emocional, como o incentivo ao ódio, utilizado para manter o grupo cada vez mais alienado. Pense que aquela organização está repleta de problemas, mas que, para que o manipulador não seja cobrado, ele canaliza aquelas pessoas a odiarem algo externo, fazendo com que deixem de perceber a realidade que as cerca para focar em um inimigo, mesmo que seja irreal. Igualmente, se alguém desta organização já não consegue ser conduzida pelo medo, muito menos pelo ódio, pois não acredita nesse inimigo que ele mesmo pode ter ajudado a criar, certamente o manipulador utilizará a ganância contra ele, promovendo-o, exaltando-o, de forma que ele novamente se encontre sob sua influência, mas, agora, sentindo-se mais importante, com alguns poderes para fazer o que o sua chefia também faz.

Provocar o isolamento

Outra questão técnica é que a manipulação só funciona através de um isolamento, podendo ser natural, como limitações geográficas, ou provocado, tanto física quanto mentalmente [e o artificial, aqui, pode ser o “novo natural” a depender do nível de alienação sofrida pela pessoa, geralmente um jovem que despreza os bons pais para ficar com sua turminha de ideólogos emburrecidos]. Ou seja, mesmo que os espaços físicos não sejam fechados, o manipulador, novamente excetuando pormenores relacionados à suscetibilidade, consegue determinar limites mentais em um alvo, aprisionando-o por implantes emocionais ou através do controle de narrativa.

Uma das maneiras mais abrangentes de provocar o isolamento é permitir que todas as pessoas, cada qual em seu lugar de preferência, concentrem-se em uma única fonte de informação, como acontece com as emissoras de televisão, cujos espectadores são praticamente toda população de um determinado país ou civilização, como acontece muito na Europa [que absurdamente não percebem que são manipulados todos os dias através do controle de narrativa e/ou implantação de emoções] ou mesmo no Brasil [quando sua maior rede de TV é detestada por tantos, mas que, por estes mesmos, acaba sendo assistida — o que, para além de incoerência, pode ser um nítido atestado de demência coletiva].

Entretanto, o isolamento provocado mais comum é através de espaços físicos limitados, somados à ideologias que possam cumprir não uma verdade, como os rigores de uma corporação, que trabalha em proveito da sociedade, como devem ser os policiais e bombeiros, mas de uma vontade exclusiva, emanada tão somente do manipulador, ainda que posta em prática por subalternos [geralmente pessoas que já não se envergonham de compactuarem com imoralidades, pois se tornaram tão desprovidas quanto o calhorda que creem ser outro messias — ou algo do tipo]. Nas corporações, a mentalidade incutida, por mais severa que possa ser, observa as reais necessidades e circunstâncias de uma população, e o medo, o ódio e a ganância são revertidos em bravura, virtude e esperança em benefício não de um manipulador, mas das vítimas de assaltos e incêndios, por exemplo. Um dos casos mais emblemáticos de manipulação, que obteve seu sucesso através de um isolamento provocado, é o da “Família”, liderada por Charles Manson, conforme descrito na obra “Helter Skelter”, de Vincent Bugliosi e Curt Gentry.

Controle de narrativa

Geralmente o controle de narrativa é utilizado para manter o alvo preso à alguma emoção implantada, cujo grau de eficácia é percebido pela capacidade de quem sofre a manipulação abstrair-se da realidade [como as feministas, que apoiam o regime do aiatolá iraniano só para fazer uma oposição cega e banguela ao governo israelense, quando, na verdade, os iraniano odiariam saber de expressões como “meu corpo, minhas regras”, pois tudo isso lá se resolve na base da burca, a priori, e pedradas, a posteriori]. A suscetibilidade, que não será observada novamente por ter critérios mais extensos, pode ser suplantada sempre que uma pessoa é levada da razão à emoção, do intelecto à instintividade em suas ações. Também, em nível de pensamento, o controle de narrativa provoca isolamento e, quando estruturas mentais são delineadas, muito facilmente é possível determinar o que é aceitáveis enquanto ideia, assim como o que é desprezível e merecedor de todo o ódio. Raramente os delineadores não são medos projetados; quando não são, também não é difícil observá-los como aspectos gananciosos.

Diagrama experimental

Para melhor explicar como é dada a manipulação de pessoas e grupos, observe os conjuntos abaixo, onde: “i.e.” é implantar emoções; “p.i.” provocar o isolamento, e; “c.n.” é controlar e narrativa. Todas três técnicas, neste caso, relacionam-se com o “alvo”, mas não todas as interseções, pois um “x” ou dois, dependendo da estrutura observada, mantém relacionamento, enquanto “y”, como se nota, mantem-se fora da relação [igualmente os subalternos de manipuladores, que sempre serão excluídos dos grandes prazeres que somente o manipulador pode usufruir, como acontece com políticos e líderes de seitas]. O que eles significam depende muito de como das técnicas praticadas.



Por exemplo, na primeira relação, onde “i.e.” predomina, “x” significa tudo aquilo que suporta (p.i. + i.e.) e (i.e. + c.n.), mas que não admite “y”, dado por (p.i. + c.n.). Portanto, provocar o isolamento com controle de narrativas não é a melhor opção para manipular um alvo se a técnica for implantar emoções [pois isso termina como uma sala de aula de um curso chato, onde maioria da turma está dormindo ou distraída com sabe-se-lá-o-quê, e a outra parte, dos “cdfs”, ainda assim se esforça para não dormir].

Onde “p.i.” prevalece, “y”, que é uma intercessão desprezível, deve ser excluído da relação com o alvo [pois acaba sendo como um técnico de uma seleção de futebol, que precisa motivar o time com discursos emocionantes, contando histórias nefastas sobre o adversário, só que diante de jogadores que só pensam em dinheiro e mulheres, e que são provenientes de clubes que pagam muito mais do que uma confederação nacional]. Se a técnica a ser utilizada for provocar o isolamento, “x” precisa ser sempre mantido, ora com implantações emocionais, ora com controles de narrativas, que tecnicamente não precisam fazer o sentido, ou seja, uma narração não precisa corresponder ao ódio a ser implantado, pois é possível atribuir características a um inimigo para que seja odiado enquanto se narra um acontecimento, mesmo que inventado, sobre como uma determinada figura pública, como o manipulador, líder de um partido político ou de uma seita, conseguiu superar suas dificuldades através daquela organização. A interseção (i.e. + c.n.) será decorrência de (i.e. + p.i.) e (p.i. + c.n.), noutros termos, se o alvo consegue ser manipulado pela construção emocional de uma figura odiosa enquanto o líder a ser admirado é reafirmado com relatos grandiosos, contrárias às características do opositor, logo os bons sentimentos por este serão dados em relação às más impressões por aquele. Portanto, imagine um ditador ao alienar sua população. Ele não precisa pedir para que sua população goste dele, contando o quão importante ele é. Isso seria dado por (i.e. + c.n.). Ele só precisa manter as pessoas sob sua influência enquanto movimenta elas para lá e para cá, respectivamente por acusações contra um inimigo do povo e testemunhos de subalternos que reforcem sua postura de líder. Talvez alguém sob manipulação não venha a desenvolver um gosto por tal ditador, porém, como as técnicas de manipulação são sempre baseadas na “bigorna e martelo”, basta que uma funcione, para que a outra, aos poucos ou imediatamente depois, venha a resultar.

Para grupos, sem exceção, a técnica mais utilizada é o “c.n.”, onde “x” resulta de um “p.i.”, por um lado, e de uma “i.e.”, por outro lado, sem que exista necessariamente algo material, onde tudo é dado no plano das ideias, do pensamento, da mente. Através de (c.n. + p.i.), nascem as ideologias de massa, e, de (c.n. + i.e.), surgem as histerias coletivas. Já o “y” no emprego de “c.n.” como técnica à manipulação, pode ocasionar sua anulação [como um palhaço de circo que não faz graça, onde a plateia, na expectativa de ser entretida, mas sendo frustrada, começa a vaiá-lo e atirar nele tudo o que for possível, desde o cachorro-quente que tinha comprado para o filho, como o extintor de incêndio que havia por ali]. Observe que, uma vez estando o grupo alienado a alguma ideia e exaltada por emoções, ou as narrativas convergem para sustentar (p.i. + i.e.), ou “y” será justamente a consequência. Portanto, o que sustenta (p.i. + i.e.) são sempre narrativas adequadas ao grupo manipulado.

O maior grau de manipulação seria dado quando nenhuma das técnicas fossem necessárias para atingir o alvo. Porém, mesmo diante de um grupo altamente manipulado, ainda assim as técnicas são colocadas em prática. Por exemplo, diante de um controle de narrativa malfeito, basta relembrar a origem do grupo, provocando o isolamento pelos implantes emocionais já realizados [para quem não sabe, Sun Tzu, 500 a.C., já observava na tática do encurralamento uma maneira de motivar a tropa a atacar os inimigos por falta de rotas de fuga, ou seja, ele não precisava convencê-los a lutar, explicando os motivos ou coisa e tal; bastava excluir a opção de desertar e dizer algo como “eles vão matar seus filhos e estuprar suas mulheres” que tudo se resolvia]. Se estes implantes emocionais começarem a fracassar, o controle de narrativa pode ser mais uma vez exercido, somado à provocação do isolamento. Se o isolamento provocado falhar, retorna-se, então, às implantações emocionais juntamente ao controle de narrativa — um ciclo sem fim, de fato.

A intercessão “y”, neste sentido, depois que uma manipulação é bem realizada, mas havendo problemas técnicos [que não são outros, senão aqueles dados com o meio externo, como quem, preso em um túnel, enxerga um pequeno raio de luz], torna-se fator de reaglutinação, de reagrupamento [para tapar a passagem da luz], motivo pelo qual manipular é sempre uma atitude constante, onde o manipulador deve sempre manter seus alvo sob sua influência.

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